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3 de fevereiro de 2026
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PAPO RETO

Michele como fica o Kassab?

A maior falha que qualquer liderança formada no entorno de Bolsonaro pode cometer é subestimar a inteligência do próprio eleitorado. A direita, que por décadas engoliu o “teatro das tesouras” conduzido por elites políticas tradicionais, hoje enxerga alianças, bastidores e contradições com uma nitidez que antes não existia. Esse eleitor não é mais o mesmo de 2014; é um público politizado, atento, desconfiado e calejado.

Por isso, qualquer figura que ganhou força graças ao capital político de Bolsonaro precisa demonstrar uma postura coerente com aquilo que a base considera inegociável. Se a prática política dessas lideranças reproduzir as mesmas composições com velhos inimigos — que historicamente representaram justamente o sistema combatido — então todo o esforço dos últimos anos se esvazia.

O episódio envolvendo Michelle Bolsonaro criticando a aliança com Ciro Gomes no Ceará, assim como críticas a um deputado de direita, abre uma reflexão inevitável:
essa mesma energia será aplicada quando o assunto for a presença de Gilberto Kassab no governo Tarcísio?

É aqui que a coerência deixa de ser discurso e vira teste.

Há, porém, um movimento possível — e poderoso. Michelle, ao assumir abertamente esse papel fiscalizador dentro da própria direita, pode conquistar ainda mais respeito e ascendência sobre a base, justamente por vocalizar aquilo que muitos dizem há meses: a direita precisa romper definitivamente com figuras e partidos que só se aproximam por conveniência, não por alinhamento real.

Se ela realmente assumir esse eixo de coerência, pode se tornar o ponto de convergência capaz de pressionar governadores, aliados e partidos a adotarem uma prioridade incontornável: a defesa da anistia ampla, irrestrita e sem barganhas políticos para Bolsonaro e para todos os presos que a direita considera injustiçados.

Porque, ao final, existe uma lógica simples: quem quer herdar o legado precisa defender aquilo que fundamentou esse legado.
E isso inclui identificar inimigos políticos internos e externos — e removê-los das composições que hoje servem mais ao sistema do que ao projeto político que a direita afirma representar.

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