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CRÔNICA DO MAGRÃO

Gilberto Kassab: O Arquiteto do “Centro Hegemônico”

Gilberto Kassab se tornou um grande político fisiológico desse Presidencialismo de Coalizão. No sistema, e na ciência política ele é visto como o mestre do neofisiologismo estratégico. Kassab entendeu que, no presidencialismo de coalizão, não é preciso ter a Presidência para mandar no país; basta ter a chave do Congresso.

​A Força dos Números: Ao transformar o PSD no partido com o maior número de prefeitos do Brasil (quase 900), Kassab criou um exército de cabos eleitorais capilarizados. Isso garante uma bancada federal gigantesca em 2027.
​A Estratégia dos “Candidatos Balão de Ensaio”: Ele mantém nomes como Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS) no radar e recentemente filiou outro Presidenciavel no PSD, o Governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O objetivo não é necessariamente ganhar, mas:

​1. ​Ter tempo de TV e fundo eleitoral próprios.

​Fragmentar o voto de direita e esquerda no primeiro turno.
​Vender caro o apoio no segundo turno em troca de ministérios “de porteira fechada” e o controle do Orçamento.

​2. O Cenário em São Paulo: Tarcísio e a “Distância Controlada”

​Tarcísio de Freitas chega ao ano eleitoral como o favorito absoluto à reeleição. Sua força reside em um perfil técnico que agrada ao mercado, somado à entrega de obras (privatização da Sabesp, Rodoanel, Trem Intercidades).
​O Dilema Presidencial: O sistema (inclusive Kassab, seu Secretário de Governo) pressiona Tarcísio a ficar em SP. Se ele sai para disputar a Presidência, entrega o Estado para o vice (Felício Ramuth, do PSD de Kassab) e corre o risco de perder para a máquina de Lula. Se fica, garante SP por mais 4 anos e se consolida como o herdeiro natural da direita em 2030, sem as “feridas” de uma derrota nacional.
​A Blindagem contra o Bolsonarismo Radical: Tarcísio opera na “distância controlada”. Ele precisa dos votos de Bolsonaro, mas evita o discurso ideológico inflamado que afasta o eleitor moderado do interior paulista.

​3. O PT e o “Projeto de Poder” em Xeque

​O PT enfrenta uma barreira geográfica e ideológica em São Paulo que parece intransponível no momento.
​Dificuldade de Penetração: O governo Lula 3 tem focado em pautas sociais, mas o eleitorado paulista (especialmente o do agronegócio e o da classe média urbana) é historicamente resistente ao partido.
​Falta de Nomes: Sem uma liderança estadual nova (Haddad está desgastado pela Fazenda e nomes como o de Erika Hilton ainda são muito nichados para o interior), o PT corre o risco de virar um “partido de capital”, perdendo feio nas cidades médias e no cinturão agrícola.
​Prioridade Nacional: O projeto de poder do PT para 2026 é Lula. O partido está disposto a sacrificar candidaturas estaduais em São Paulo para garantir alianças que deem a Lula um tempo de TV maior e menos resistência no Congresso.

​4. Conclusão: O “Imprevisto” do Sistema.

​O maior risco para esse plano de Kassab e Tarcísio é a polarização extrema engolir o centro. Se a eleição presidencial virar um “nós contra eles” furioso, o PSD de Kassab pode ser forçado a escolher um lado antes da hora, perdendo o poder de barganha do segundo turno.
​Resumo do Cenário:
​Tarcísio: Favorito para a reeleição em SP, tendendo a não arriscar o Palácio dos Bandeirantes pela incerteza do Planalto.
​Kassab: O grande vencedor silencioso. Seja quem for o presidente, precisará negociar com a montanha de prefeitos e deputados que o PSD elegerá.
​PT: Deve focar na sobrevivência de Lula, possivelmente abrindo mão de SP em uma composição com o PSB ou outro aliado de centro-esquerda.

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