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8 de maio de 2026
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CRÔNICA DO MAGRÃO

O Vazio de Veludo: A Quinta-Feira em Washington

​A cena no Salão Oval nesta quinta-feira poderia ser descrita como um “banquete de aparências”. De um lado, Lula, o veterano que desembarcou nos Estados Unidos com a urgência de quem precisa de um troféu eleitoral para 2026. Do outro, Trump, o negociador que não opera por ideologia, mas por balanço de poder, e que guarda na memória recente cada adjetivo hostil que o brasileiro lhe disparou em palanques passados.

​O objetivo do Planalto era cristalino: vender a imagem do “Brasil respeitado”. Mas, no xadrez da geopolítica, fotos não pagam contas. Lula tentou bancar o valentão em sua bolha doméstica, criticando o “imperialismo” e o “fascismo” para sua militância, mas em Washington o tom foi de uma submissão disfarçada de cortesia.

O “líder global” que fala grosso em Brasília teve que entregar uma lista de propostas em inglês e ouvir, em troca, um incômodo silêncio sobre o que realmente importava: as tarifas de 50%.
​Trump, mestre na arte da pressão, não deu o que Lula queria. Em vez de uma declaração conjunta de amizade, ofereceu um prazo de 30 dias — um purgatório diplomático que mantém o governo brasileiro em rédea curta. Trump sabe que as tarifas sobre o aço e o agro são o garrote que sufoca a economia de Lula.

Ao não revogá-las de imediato, ele envia um recado: “Eu não confio em você”.
​Enquanto Lula tentava extrair legitimidade de um aperto de mão, a sombra de Flávio Bolsonaro pairava sobre o encontro. Para Trump, o clã Bolsonaro não é um vizinho de ocasião, mas um aliado de sangue, o “MAGA do Hemisfério Sul”. A lógica transacional de Trump é simples: por que investir em um interlocutor volúvel como Lula, que flerta com o autoritarismo de esquerda, quando se tem aliados fiéis esperando na antessala da história?

​A reunião expôs a fragilidade da “diplomacia do palanque”. Lula queria sair de Washington como o pacificador do mundo; saiu como um administrador pressionado a entregar resultados no combate ao crime organizado e na entrega de minerais críticos. Trump não quer um parceiro para “mudar o mundo”, ele quer um fornecedor confiável e um vizinho que não lhe dê problemas.

​Ao final do dia, a crônica dessa quinta-feira é a de um deserto de resultados. Lula volta para casa com o rolo de câmera cheio, mas as mãos vazias. O “valentão” descobriu que, fora de sua bolha, a realidade é ditada por quem detém a caneta das tarifas. A reunião não foi o triunfo esperado, mas o lembrete de que, para Trump, Lula é apenas um ator dinâmico em um palco que já tem donos — e o nome do sucessor preferido de Washington não é o dele.

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