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Presidente Prudente
29 de abril de 2026
Oeste Cidade
CRÔNICA DO MAGRÃO

O Banquete das Ilusões

​Tudo começa em um verão que parecia eterno. O Brasil, inebriado pelo preço alto das commodities, sentou-se à cabeceira da mesa global e pediu o prato mais caro. Era a era do “Estado-Mãe”, aquele que tudo provê e nada cobra. Mas, nos bastidores dessa festa, o modelo de Estado já dava sinais de exaustão. Era um motor de opala tentando empurrar um transatlântico: caro, barulhento e perdulário.

​Enquanto o país celebrava, o Mensalão e o Petrolão operavam como cupins silenciosos nas vigas mestras. Não eram apenas desvios; era um sistema de “pedágio” institucionalizado. O Estado não servia ao cidadão; ele servia a si mesmo e aos seus “amigos do rei”. Bilhões foram drenados das veias da Petrobras, e o golpe de misericórdia veio no assalto aos fundos de pensão: o roubo dos aposentados foi a prova final de que nem o futuro do trabalhador era sagrado diante da ganância política.

​A Ressaca e o Paredão

​A festa acabou, a luz apagou e a conta chegou em dólares. A “Década Perdida” (2011-2020) não foi um acidente, foi o resultado de um país que tentou crescer no grito e no subsídio. Veio a pandemia, e o que era um problema de junta médica virou uma UTI financeira. O Estado, já obeso e ineficiente, precisou gastar o que não tinha para não colapsar.

Agora, o relógio corre para 2027. O próximo Presidente não herdará um trono, mas uma bomba relógio com o visor marcando 80% do PIB em dívida. É o peso do piano se tornando insuportável. Instituições como o Banco Master e outros escândalos financeiros recentes mostram que as sombras ainda são longas e que o “modelo superado” — esse Estado que tributa como a Suécia e entrega como o subúrbio de lugar nenhum — continua operando.

​O Gran Finale: A Encruzilhada

​O cenário é de uma narrativa linear implacável. O próximo governante encontrará uma sociedade exausta de sustentar privilégios da elite do funcionalismo e esquemas de corrupção que se renovam a cada eleição. O “grande erro” foi achar que o fiscal e o moral caminhavam em trilhas diferentes. Não caminham. O dinheiro que falta no hospital é o mesmo que sobra no fundo de pensão desviado.

​O plano para a sobrevivência? Não há mágica. É o fim do populismo de palco.
​É preciso estripar a ineficiência, digitalizando o Estado para que o político não tenha onde esconder a mão.
​É preciso cortar na carne dos gastos obrigatórios, enfrentando a realidade de que o Estado não pode tudo.
​É preciso restaurar a honra, garantindo que quem roubou o aposentado ou fraudou a estatal nunca mais chegue perto do cofre.

​O Brasil de 2027 está no topo de um desfiladeiro. De um lado, o abismo da inflação e do descrédito total. Do outro, a trilha íngreme de uma reforma corajosa. O piano terá que ser deixado para trás se quisermos terminar a corrida. A questão que fica no ar, como o suor de um maratonista exausto, é uma só: teremos um líder com coragem para ser o cirurgião desse Estado moribundo, ou apenas mais um coveiro de esperanças?

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