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11 de março de 2026
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CRÔNICA DO MAGRÃO

​Os Mais Vivos governam os Menos Vivos

A história da civilização não é um desfile de virtudes, mas um canteiro de obras erguido sobre o silêncio dos vencidos. Se olharmos para as grandes potências, o que vemos não é apenas o triunfo do espírito, mas o peso do tijolo sobre a carne. A ganância, esse cimento que une as eras, enterrou a humanidade sob camadas de asfalto e glória, transformando o mundo em um teatro onde a peça principal é sempre a mesma: a luta pela sobrevivência.

​Arthur Schopenhauer, o filósofo da vontade, já nos alertava: somos movidos por um querer cego e insaciável. Para ele, a humanidade é como um imenso formigueiro onde milhões agem como humildes abelhas operárias, presas ao ciclo eterno de produzir para não morrer e morrer por ter produzido. É o “querer-viver” que nos escraviza. No entanto, nessa massa de manobra, alguns despertam com uma vitalidade diferente. Não é a busca pela paz, mas o apetite pelo domínio.

​É aqui que a máxima de Benjamin Disraeli corta o ar como uma lâmina: “Os mais vivos governam os menos vivos”.​ Nietzsche, com sua filosofia de martelo, daria a essa frase uma cor ainda mais intensa. Para ele, a vida é “Vontade de Poder”. Enquanto a maioria se contenta em ser rebanho, em aceitar o ritmo ditado pelos outros e em se esconder na segurança da mediocridade, os “mais vivos” são aqueles que transbordam essa energia vital. Eles não pedem permissão; eles moldam a realidade à sua imagem. Eles entendem que a natureza não conhece a igualdade, apenas a hierarquia das forças.

Mas há uma ironia trágica nessa narrativa linear. As potências foram construídas tijolo por tijolo em cima da miséria, de guerras e da escravidão, cimentando a ideia de que o poder justifica o meio. A insensatez humana provou que não tem limites. Contudo, nem o governante mais astuto, nem o conquistador mais feroz, é mais forte que a natureza que o gerou. O “mais vivo” de hoje é o pó de amanhã. A mesma terra que acolhe o suor da abelha operária recebe, com a mesma indiferença, a coroa do rei.​

A crônica da nossa espécie é este paradoxo: milhões ditam o ritmo, outros milhões obedecem, e a humanidade permanece enterrada sob a ganância de quem acredita que governar os “menos vivos” lhe garante a eternidade. Esquecemos que, diante do abismo do tempo, a diferença entre o senhor e o escravo é apenas a velocidade com que o esquecimento os consome. Somos todos passageiros de uma nau onde os mais espertos assumem o leme, mas ninguém, absolutamente ninguém, consegue mudar o destino final do naufrágio biológico que nos aguarda.

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