O Brasil se veste como uma federação, mas opera como um Estado centralizado e refém. O modelo financeiro atual é o maior bloqueio ao nosso desenvolvimento, perpetuando oligarquias e punindo a eficiência. A narrativa é simples, direta e devastadora.
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A maior parte da riqueza tributária do país é arrecadada e concentrada em Brasília. O Sul, Sudeste e Centro-Oeste injetam a maior parte do dinheiro, que, em seguida, é redistribuído via fundos federais complexos, como o FPE (Fundo de Participação dos Estados).
O Ciclo Vicioso da Dependência
O Dreno Produtivo: As regiões mais ricas perdem poder de investimento próprio, vendo sua produtividade financiar a ineficiência alheia.
O Prêmio à Dependência: O FPE é um mecanismo perverso: ele distribui recursos com base em critérios que tendem a premiar a baixa arrecadação per capita. O sistema desincentiva o esforço fiscal local, tornando a dependência de Brasília a estratégia mais lucrativa para muitos estados.
A Oligarquia Fortalecida: Essa dependência sustenta as oligarquias do Norte e Nordeste, onde a política não é sobre gerar riqueza e emprego (apenas 10% da arrecadação nacional), mas sobre capturar verbas federais. O líder local não é cobrado por ser gestor, mas por ser um bom “mendigo” em Brasília, garantindo a fidelidade eleitoral via assistencialismo e obras federais.
O Contraste Estrutural
Para entender o quão doente é nosso sistema, basta olhar para modelos que funcionam:
EUA e Alemanha: Nesses modelos, a arrecadação de impostos sobre consumo e renda é amplamente descentralizada. Estados (Länder) possuem autonomia tributária para financiar a maior parte de seus serviços essenciais.
Responsabilidade Fiscal: Se um estado americano ou um Land alemão for mal administrado, sua arrecadação local cai, e o governo é imediatamente responsabilizado, forçado a mudar a política. O sistema incentiva a produtividade, pois o dinheiro fica onde é gerado.
No Brasil, a ineficiência de um estado é financiada pela produtividade de outro, e o gestor local não paga o custo político da má administração.
Rumo à Solução
A verdadeira ameaça à democracia brasileira não é a polarização ideológica; é a captura do Estado mantida por esse pacto federativo arcaico. Mudar o modelo é o único caminho para um projeto de País eficiente e menos corrupto.
A solução exige coragem para descentralizar a arrecadação. O Brasil precisa dar mais autonomia aos estados para que eles instituam e retenham a maior parte dos impostos sobre consumo (como o futuro IVA). Isso faria com que o foco político migrasse de “peregrinar em Brasília” para “gerar prosperidade local”.
Só quando o poder e o dinheiro estiverem mais próximos do cidadão, e os líderes locais forem penalizados pela própria ineficiência, é que o Brasil se libertará das oligarquias e dará o primeiro passo rumo a uma federação justa e moderna.



