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2 de fevereiro de 2026
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GERAL

Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo: denúncias crescem na região de Prudente

Nesta quarta-feira (28), é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) da 15ª Região revelam que a prática criminosa segue presente na região de Presidente Prudente, ao mesmo tempo em que cresce a atuação judicial para enfrentar as violações de direitos humanos.

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O balanço reúne indicadores de 2024 e 2025 e aponta que o número de denúncias permanece elevado. Em toda a área de abrangência da 15ª Região, que inclui o interior paulista e o litoral norte, foram 240 denúncias em 2024 e 238 em 2025, demonstrando a persistência do trabalho em condições análogas à escravidão.

Além das ações extrajudiciais, como a assinatura de Termos de Ajuste de Conduta (TACs) — 63 em 2024 e 59 em 2025 —, o MPT ampliou a atuação judicial. As ações civis públicas (ACPs) passaram de 9 para 10 no período analisado, com maior distribuição entre as unidades regionais.

Nesse cenário, Presidente Prudente aparece no levantamento de 2025 com o ajuizamento de uma ação judicial, evidenciando que o município integra o mapa de enfrentamento ao trabalho escravo no Estado. A descentralização das ações demonstra uma atuação mais capilarizada do MPT, que também registrou processos em Campinas, Bauru e Ribeirão Preto.

Segundo a coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete), procuradora Regina Duarte da Silva, a estabilidade dos números indica tanto a permanência da prática criminosa quanto o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e denúncia.

“A manutenção de indicadores próximos às 240 denúncias anuais demonstra que a exploração em condições análogas às de escravo ainda é estrutural em diversos setores. Por outro lado, reflete uma sociedade mais consciente e canais de denúncia mais acessíveis, que impedem que esses casos permaneçam invisíveis”, explica.

Na época a fiscalização encontrou condições precárias no trabalho de colhedores de mandioca em Pirapozinho. Foto: MPT

Caso de trabalho escravo em Pirapozinho

Um dos casos emblemáticos foi em Pirapozinho (SP), em 2022, durante operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em apoio ao MPT. Na época a fiscalização encontrou condições precárias no trabalho de colhedores de mandioca, foram encontrados 13 trabalhadores paraguaios, incluindo um menor de idade, todos sem registro em carteira, sem EPIs suficientes e submetidos a condições degradantes de alojamento. Também foram constatadas irregularidades como ausência de instalações sanitárias e local adequado para refeições, além de transporte precário até a frente de trabalho.

Os trabalhadores foram resgatados e encaminhados para alojamento digno em hotel no centro da cidade, com despesas custeadas pelo empregador. O caso resultou na formalização de TAC, prevendo pagamento de salários, indenizações, regularização documental, retorno ao Paraguai e pagamento de danos morais individuais e coletivos, estes destinados ao Centro de Apoio e Pastoral do Migrante.

Sobre a data

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo homenageia três auditores fiscais do trabalho e um motorista assassinados em 28 de janeiro de 2004, durante uma fiscalização na zona rural de Unaí (MG). O crime ficou conhecido como a Chacina de Unaí e se tornou um marco na luta contra o trabalho escravo no Brasil.

Casos de trabalho escravo podem ser denunciados de forma sigilosa pelo site do MPT, pelo aplicativo MPT Pardal ou pelo Disque 100.

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