A democracia brasileira não é apenas um teatro de sombras; é uma orquestra onde cada músico executa sua parte na pilhagem do Estado sob a batuta de uma regência central. Se o Judiciário é a guarda pretoriana e o Legislativo é o balcão de negócios, o Presidente Lula é o maestro que harmoniza essa sinfonia desafinada, garantindo que o barulho das transações abafe o grito de socorro da nação.
A narrativa linear do colapso ético atinge sua plenitude na conivência presidencial. Lula não é apenas um espectador dos abusos de Alexandre de Moraes; ele é o fiador político da militância judicial. Ao permitir que um Ministro do STF atue como lobista no Senado para aprovar a PL da Dosimetria, o Palácio do Planalto terceiriza a repressão e a gestão da política para a toga, criando uma blindagem jurídica mútua: o STF protege o governo das investigações, e o governo protege o STF do escrutínio popular e do impeachment.
Nessa regência, os escândalos financeiros deixam de ser anomalias para se tornarem o combustível da máquina. A conivência de Lula é o que permite que diálogos sobre o Banco Master circulem livremente entre o Banco Central e o Judiciário, culminando no acinte ético de um contrato de 123 milhões de reais com a esposa do Ministro. Para o maestro, pouco importa o conflito de interesses, desde que os capitais amigos continuem lubrificando as engrenagens do apoio político.
O líder do governo, Jaques Wagner, não agiria como um leiloeiro de vidas humanas sem o aval do Planalto. A troca da liberdade de presos políticos por 22 bilhões de reais em emendas é a prova definitiva da “Realpolitik” lulista: a moralidade é sacrificada no altar da governabilidade comprada. O orçamento público, que deveria servir ao povo, é entregue ao Congresso como um banquete para garantir que o maestro continue no pódio, mesmo que a música seja um réquiem para as liberdades individuais.
A Estrutura da Orquestra:
O Maestro (Lula): Coordena a entrega do orçamento e a blindagem política, garantindo que nenhum poder interfira no outro, desde que todos sirvam ao projeto central.
O Primeiro Violino (Moraes): Utiliza a força do Estado para constranger adversários e pautar o Legislativo conforme os interesses do condomínio.
O Tesoureiro (Banco Master/Contratos Milionários): Representa o financiamento da elite através de laços familiares e contratos de fachada que garantem o fluxo de riqueza no topo.
O Operador (Wagner): Traduz o sofrimento humano e o dinheiro público em votos e apoio parlamentar.
O resultado é um país onde a democracia se tornou uma casca vazia. O custo desse concerto é o mais alto do mundo: um Judiciário que consome 1,6% do PIB e um governo que gasta bilhões para comprar a própria sobrevivência. Enquanto Sinatra canta “My Way”, e eu sentado numa cadeira de praia, a realidade mostra que, no Brasil, o caminho é decidido em jantares a portas fechadas, onde o povo é o prato principal.
A conivência presidencial é o cimento que une essas peças podres. Lula sabe que, enquanto a orquestra tocar para as elites judiciária e financeira, sua batuta estará segura. O ponto de ruptura é o silêncio da plateia, que exausta de pagar por uma música que não escolheu, começa a perceber que o maestro e seus músicos não estão ali para servi-la, mas para reger a própria opulência sobre os escombros de uma República que já não respira.



