Simples assim!
Há um erro grave — ou uma conveniência perigosa — quando se trata certos empresários “bem-sucedidos” como exemplos de mérito absoluto.
Nenhuma relação promíscua entre poder político e poder econômico é gratuita. Quando há amizade demais com políticos, acesso aos bastidores, favores, empréstimos facilitados, incentivos seletivos e proteção estatal, alguém sempre paga a conta. E quase nunca é quem recebe o benefício.
Não existe milagre econômico bancado pelo compadrio. Facilidade de crédito público, privilégios do BNDES, desonerações escolhidas a dedo e decisões políticas feitas sob medida não nascem do nada. Isso custou dinheiro público. Custou o esforço de quem acorda cedo, trabalha duro e paga imposto sem ter padrinho.
Mesmo assim, esses personagens são apresentados como heróis do empreendedorismo, “geradores de emprego”, símbolos de sucesso.
A pergunta é inevitável: isso é inge
nuidade coletiva ou incapacidade — conveniente — de enxergar o jogo sujo da política? Porque inocência tem limite. E a realidade está escancarada.
Quem não entende que esse tipo de sucesso foi sustentado por favores pagos com dinheiro do povo acaba legitimando o sistema que nos explora. E aí não adianta reclamar. Se normalizamos a corrupção travestida de eficiência, se aplaudimos privilégios como se fossem virtudes, então não dá para fingir surpresa.
No fim das contas, aceitar isso passivamente é assinar embaixo.
Merecemos, sim, o governo que temos — e os políticos que nos representam.


