Quando alguém afirma que o Bolsa Família não influencia a falta de mão de obra qualificada, no mínimo demonstra desconhecimento da realidade ou nunca teve que depender do próprio trabalho para sobreviver. Não se trata de negar a importância do auxílio social, mas de reconhecer seus efeitos colaterais quando mal estruturado ou perpetuado sem critérios claros de saída.
Um programa social deveria ser ponte, não destino. O Bolsa Família deveria funcionar como um incentivo temporário, vinculado de forma objetiva à qualificação profissional, à busca por emprego e à melhoria real de vida. Quando o benefício se torna interminável, sem exigir contrapartidas eficazes, ele deixa de emancipar e passa a acomodar.
O resultado é perverso: pessoas presas a um sistema que não estimula o crescimento, não cobra evolução e não oferece caminhos concretos para a autonomia. Isso não é justiça social — é dependência institucionalizada. Pior ainda, cria-se uma relação em que o cidadão teme progredir por medo de perder o benefício, transformando ajuda em armadilha.
A verdadeira política social não mantém pessoas reféns do Estado. Ela capacita, exige, acompanha e liberta. Qualquer coisa diferente disso não combate a pobreza — apenas a administra, enquanto mina a dignidade, a produtividade e o futuro de quem poderia ir muito além.


