Em tempos difíceis, surgem homens de coragem. Mas é justamente nesses momentos que também se revelam — ou deveriam se revelar — instituições guiadas pela coragem, pela imparcialidade e pela honestidade.
Deixando de lado a formalidade institucional das autoridades presentes no lançamento do SBT News, não pode passar despercebida a forma como foram tratados personagens centrais de uma trama que hoje envolve e inquieta a maioria dos brasileiros. O país clama por um jornalismo verdadeiramente imparcial, capaz de colocar cada ator no seu devido lugar, apontar abusos, reconhecer erros e, sobretudo, indicar caminhos para que o Brasil volte a experimentar a tranquilidade que só uma democracia real é capaz de oferecer aos seus cidadãos.
O que se viu ontem, porém, deixa uma impressão clara: o SBT News não nasceu para ser apenas mais um canal de notícias. Sob a influência política de um político tradicional, que conhece profundamente o jogo que assola este país, o herdeiro Fábio Faria, o projeto aparenta ser mais um produto voltado a abocanhar uma fatia maior do dinheiro público, em troca de divulgar apenas aquilo que interessa ao governo da vez.
Verdade e imparcialidade raramente interessam a quem controla a verba. Essas, quando existem, interessam apenas ao povo — que paga a conta, mas não decide como o dinheiro público é distribuído.
E ficam pelo caminho os ensinamentos éticos e morais do fundador e ídolo Silvio Santos, princípios que um dia fizeram do SBT um orgulho nacional. Hoje, parecem tratados como valores ultrapassados, descartáveis, incompatíveis com os interesses dos herdeiros e com a lógica de faturar a qualquer custo.
Talvez seja isso que reste: levar para o mesmo buraco comum um nome que foi, e ainda é, símbolo de trabalho, criatividade e respeito ao público.
Descanse em paz, Silvio Santos.
Você fez a sua parte.
E deixou um exemplo que muitos escolheram não seguir.



