Era uma vez um país que acreditou num conto de fadas tropical.
O protagonista vinha da pobreza, discursava como salvador, se apresentava como o pai dos pobres. Só esqueceram de avisar que o “pai” já morava em mansões, fumava charutos dignos de vilão de cinema, voava em jatinhos particulares e desfilava carros que fariam a burguesia corar de inveja.
Mas tudo bem, era teatro. E teatro bom — daquele que faz gente chorar, aplaudir e votar.
Quando chegou ao poder, a promessa era cuidar de todos. Cuidou mesmo… principalmente dos amigos. Vieram então os maiores escândalos de corrupção da história do país, tão grandes que precisaram de apelidos carinhosos para caber nos jornais. Foi preso. Fim da história? Claro que não. No Brasil, vilão nunca morre — no máximo tira férias forçadas.
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Quando alguém ameaçou o sistema inteiro, veio o milagre jurídico: descondenaram. E o lobo, que sempre usou pele de ovelha, voltou ao palco principal. Como ele mesmo parecia anunciar sem dizer: “o bandido sempre retorna à cena do crime”.
O mais fascinante, porém, não é o personagem principal. É o figurante. O eleitor que foi prejudicado, roubado, enganado… e mesmo assim vestiu a camisa, fez campanha, brigou com a família e defendeu o indefensável.
A dúvida persiste:
É estupidez?
É burrice crônica?
É memória seletiva?
Ou só uma desconexão grave com a realidade?
O fato é que, semana após semana, surge um novo escândalo. Não precisa dizer nomes — basta olhar quem sempre aparece na cabeça dos esquemas. Coincidência? No Brasil, coincidência é quando o sol nasce de manhã.
E assim seguimos, governados pelo pai dos pobres que de pobre nunca teve nada, mas que soube usar a pobreza como slogan. Hoje, um dos homens mais ricos do país, ainda rondando a mesma cena do crime, enquanto parte da plateia aplaude achando que está assistindo a uma redenção — quando na verdade é só a reprise de um velho filme ruim.
Comédia?
Não.
Humor negro mesmo.



