O incêndio subterrâneo que atinge uma área da Vila Furquim, em Presidente Prudente, continua desafiando autoridades e exigindo medidas cada vez mais avançadas de monitoramento e combate.
O monitoramento térmico realizado identificou temperaturas de 97°C na superfície e até 190°C em profundidade, comprovando o caráter subterrâneo e complexo da combustão. Desde então, as equipes permanecem em monitoramento diário com câmeras térmicas e acompanhamento ambiental até a eliminação completa de qualquer foco remanescente.
Com a persistência de fumaça subterrânea, foram mobilizadas duas escavadeiras hidráulicas das Secretarias de Meio Ambiente e Obras, além de dois caminhões-pipa adicionais. O Corpo de Bombeiros, em conjunto com a Defesa Civil, aplicou Líquido Gerador de Espuma (LGE) — produto químico usado internacionalmente para suprimir incêndios subterrâneos, reduzindo o oxigênio nas camadas mais profundas do solo.

Chuvas intensas e novas estratégias
Uma chuva de 43 milímetros alterou a pressão no solo e provocou aumento temporário da fumaça. As equipes mantiveram o monitoramento contínuo e realizaram novas intervenções de resfriamento e abafamento.
Uma força-tarefa regional foi mobilizada após reunião técnica coordenada pela Defesa Civil. A nova metodologia de combate passou a incluir abertura de valas e inundação controlada do subsolo, impedindo a propagação do fogo em profundidade.
O Plano de Auxílio Mútuo (PAM) foi acionado, com apoio das Usinas Atenas, Cocal e Alto Alegre, SABESP, Construtora Tucanos, concessionárias CART e Eixo-SP, além das Defesas Civis de Álvares Machado, Indiana, Martinópolis e Presidente Prudente.

Unesp participa de investigação e análise do solo
A convite da Prefeitura, servidores dos Departamentos de Cartografia e Física da FCT-Unesp de Presidente Prudente, acompanhados da vice-direção da unidade, estiveram no local do incêndio para coletar dados do solo e imagens aéreas da área atingida.
Segundo o vice-diretor da FCT, professor doutor Ricardo Pires de Paula, o técnico do Departamento de Física José Lucas Martins Viana coletou amostras de solo para análise, enquanto o servidor do Departamento de Cartografia Caic Chrisostomo Mendonça realizou imagens aéreas com drone para estimar o volume do aterro.
“Retornamos para o câmpus da Unesp de Presidente Prudente com as informações coletadas para análise. A partir de agora, vamos avaliar de que forma a Unesp pode ajudar o poder público a solucionar este problema”, explicou o vice-diretor.
As amostras foram armazenadas em ultrafreezer (-80 ºC) no Laboratório de Análises de Resíduos Agrotóxicos (LARA) da FCT-Unesp, para preservar suas características químicas. Os estudos pretendem identificar metais pesados (como chumbo, cádmio e mercúrio) e compostos orgânicos formados na combustão, como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs) e dioxinas, além de avaliar parâmetros como pH, condutividade e teor de carbono orgânico.
Essas análises devem indicar possíveis riscos ambientais e subsidiar futuras ações de recuperação da área. Além disso, a vice-direção acompanhou o uso de drones com câmeras térmicas do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) e da empresa Nuvem UAV Drones Profissionais, cujas imagens serão incorporadas a um relatório técnico sobre o volume da área, geolocalização e padrão das manchas de calor.

Entenda o problema
O aterro clandestino da Vila Furquim, localizado na zona leste de Presidente Prudente, apresenta focos de incêndio subterrâneo desde o início de outubro. O local permanece interditado pela Defesa Civil e sob monitoramento da Polícia Militar Ambiental.
A Prefeitura e os órgãos parceiros seguem atuando de forma integrada, utilizando tecnologia avançada, apoio científico e monitoramento térmico contínuo para extinguir completamente os focos e minimizar os impactos ambientais.


