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2 de fevereiro de 2026
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Ex-prefeito Nelson Bugalho abre o jogo sobre política, finanças e desafios da gestão em Presidente Prudente

Em entrevista ao programa NuRadar, apresentado por Fábio Sato e Pérsio Isaac, o ex-prefeito de Presidente Prudente, Nelson Bugalho, fez um amplo balanço de sua passagem pela administração municipal, entre 2017 e 2020. O ex-chefe do Executivo falou sobre as dificuldades que enfrentou ao assumir a Prefeitura, as decisões que tomou durante o mandato, a relação conturbada com a Câmara Municipal e o cenário político e financeiro que, segundo ele, a cidade vive atualmente.

Bugalho iniciou relembrando as condições em que encontrou o município ao assumir o cargo, em janeiro de 2017. Segundo ele, havia cerca de R$ 100 milhões em caixa, mas também grande volume de dívidas trabalhistas e judiciais, especialmente relacionadas às Requisições de Pequeno Valor (RPVs) — ordens de pagamento determinadas pela Justiça.

“Quando assumi, havia cerca de R$ 100 milhões em caixa, mas as RPVs e dívidas trabalhistas eram muitas. Durante os quatro anos de governo, pagamos cerca de R$ 200 milhões em débitos herdados de administrações anteriores”, destacou o ex-prefeito.

Bugalho afirmou que, ao encerrar seu mandato, em 2020, deixou as contas equilibradas e sem pendências. “Quando saí da Prefeitura, não deixei dívidas nem contas a pagar. Entreguei a administração com as finanças em dia”, afirmou.

Cenário após sua saída e avaliação da atual gestão

Questionado sobre a situação enfrentada pela administração que o sucedeu, Bugalho disse não saber o que ocorreu entre 2020 e 2024, durante o governo de Ed Thomas, mas revelou que o atual prefeito Milton Carlos de Mello, o Tupã, teria herdado uma dívida expressiva.

“De 2020 a 2024, não sei o que aconteceu na gestão do Ed Thomas. Mas, quando o prefeito Tupã assumiu agora, em 2025, encontrou muitas dívidas — cerca de R$ 40 milhões em contas a pagar”, observou.

Para Bugalho, a boa gestão financeira depende também de diálogo político e cooperação com a Câmara Municipal. Ele admitiu que esse foi um dos pontos mais difíceis de seu mandato.

Ex-prefeito, Nelson Bugalho enfrentou resistência dos vereadores em projetos considerados importantes. Foto: Arquivo

Relação turbulenta com a Câmara de Vereadores

Durante a entrevista, o ex-prefeito foi direto ao falar sobre sua convivência com o Legislativo prudentino:

“Minha relação com a Câmara foi turbulenta. Vendo hoje, eu faria algumas coisas de maneira diferente. Tive secretários que também deixaram a desejar”, reconheceu.

Bugalho contou que enfrentou resistência dos vereadores em projetos considerados importantes para o equilíbrio das contas municipais, especialmente em temas sensíveis como o IPTU.

“Prudente arrecada muito pouco de IPTU. A tabela tem mais de 30 anos. Tentamos corrigir isso, mandamos um projeto para a Câmara e perdi por 13 a 0. Diziam que eu queria aumentar o imposto, mas não era isso. Eu queria corrigir distorções — como o fato de um morador da Vila Marcondes pagar mais IPTU do que alguém que vive em um condomínio”, explicou.

O ex-prefeito destacou que, à época, faltou compreensão sobre o objetivo da proposta, que buscava justiça fiscal, e não aumento de tributos.

Os bastidores da gestão e a pressão diária

Bugalho também falou sobre a rotina à frente do Executivo e o peso de administrar uma cidade do porte de Presidente Prudente.

“Quando fui prefeito, todo dia tinha um problema. É muito complicado ser prefeito em Presidente Prudente. Hoje, com a experiência que tenho, eu faria muita coisa diferente se tivesse uma nova oportunidade de administrar a cidade”, declarou.

Segundo ele, o cargo exige decisões rápidas, muitas vezes impopulares, e uma estrutura política e administrativa afinada.

“Ser prefeito é lidar com demandas urgentes, pressão política e expectativas da população. É um cargo que exige equilíbrio e preparo”, acrescentou.

Bugalho diz ter pouca relação atualmente com prefeito, Milton Carlos de Mello, o Tupã, mas elogiou o atual gestor. Foto: Arquivo

Avaliação do atual prefeito e relação institucional

Ao ser questionado sobre sua relação com o atual prefeito, Milton Carlos de Mello, o Tupã, Bugalho disse que o contato é limitado, mas elogiou a forma como o gestor vem conduzindo a administração municipal.

“Converso muito pouco com o prefeito Tupã, mas ele é um homem experiente. Reúne experiência administrativa e política, e isso é importante. Tem feito o que pode para administrar a cidade. Ele pegou a Prefeitura com muitas dívidas e, agora, está organizando a casa”, avaliou.

Bugalho também comentou que a questão financeira continua sendo o maior desafio da Prefeitura.

“O problema da Prefeitura é basicamente esse: pagar dívidas. Só agora estão conseguindo colocar as contas em ordem”, observou.

A polêmica do vale-refeição dos aposentados

Durante a entrevista, o ex-prefeito relembrou um dos episódios mais delicados de sua gestão: o cancelamento do vale-refeição dos servidores aposentados, determinado pela Justiça.

“No final do mandato do Tupã, logo que assumi a Prefeitura, chegou uma decisão do Tribunal de Justiça cancelando o pagamento do vale-refeição para aposentados. Prudente pagava esse benefício, que, na minha opinião, era ilegal, porque quem se aposenta não pode continuar recebendo vale”, explicou.

Bugalho destacou que a decisão judicial teve de ser cumprida pela sua gestão, e, mesmo sendo uma imposição da Justiça, ele acabou sendo responsabilizado pela medida perante a população.

“Quem teve que cumprir a decisão fui eu. Eu andava na rua e ouvia: ‘você tirou o vale-refeição do meu pai, da minha mãe’. A culpa caiu sobre mim, mesmo sendo uma determinação da Justiça. Ainda tentei minimizar a situação dando um abono, mas muitos servidores ficaram revoltados. Foi uma decisão dura, mas necessária”, afirmou.

Nelson Bugalho, revelou bastidores inéditos de sua gestão, destacou arrependimentos e uma administração responsável.

A verba de R$ 6 milhões e a revitalização perdida do centro

Um dos pontos destacados por Bugalho foi a verba de R$ 6 milhões obtida junto ao governo do Estado, no final de sua administração, por meio do então governador João Doria (PSDB). O recurso, segundo ele, seria destinado a duas obras estruturais importantes: a duplicação da Rua José Claro e a revitalização completa do Calçadão e da região central de Prudente.

“Consegui essa verba no fim do meu mandato. Foram R$ 6 milhões que o governador João Doria liberou. Usamos cerca de R$ 1 milhão na duplicação da Rua José Claro, e os outros R$ 5 milhões seriam para a revitalização do Calçadão, dentro do programa Mais Calçadas. O projeto previa uma remodelação total, com novo paisagismo e reforma até a praça próxima à Apea”, explicou.

O ex-prefeito contou que o processo de licitação foi concluído ainda durante seu governo, mas que a ordem de serviço acabou não sendo emitida antes do término do mandato, o que resultou na perda do recurso pela gestão seguinte.

“O projeto ficou pronto, licitado, e o dinheiro estava garantido. Eu me arrependo de não ter dado a ordem de serviço. Caiu no colo do Ed Thomas, era só assinar — e eles perderam o dinheiro, sem custo algum para o município. O centro de Prudente seria outro hoje, mas a verba foi perdida”, lamentou.

Reflexão e consciência tranquila

Apesar das dificuldades, Nelson Bugalho disse que saiu do cargo com a consciência tranquila.

“Eu não tinha muita experiência política na época, mas sempre procurei fazer o que acreditava ser o certo para a cidade. Governar Prudente foi um grande aprendizado. Errei em algumas coisas, acertei em outras, mas procurei agir com transparência e responsabilidade”, concluiu.

A entrevista de Nelson Bugalho, revelou bastidores inéditos de sua gestão, destacou arrependimentos e reforçou a importância de uma administração pública pautada pela responsabilidade fiscal e pela boa gestão política. O mandato do prefeito Nelson Bugalho foi de 2017 a 2020, em Presidente Prudente. Ele tomou posse em 1º de janeiro de 2017 junto com o vice-prefeito Douglas Kato. 

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