O 2º Tenente da Polícia Militar, Jurandir Antônio Spinelli, apresentou uma proposta voltada à proteção de mulheres que vivem sob risco de violência doméstica. Em entrevista ao Portal Oeste Cidade, o oficial destacou a preocupação com os altos índices de feminicídio no país e defendeu a criação de um curso de capacitação específico para mulheres maiores de 18 anos que estejam em situação de ameaça.
Segundo Spinelli, a iniciativa surgiu a partir da procura frequente de mulheres que pedem ajuda diante de relacionamentos abusivos e ameaças. Para ele, é preciso ir além da comoção gerada pelas notícias e investir em ações práticas de prevenção.
Proposta de capacitação
A ideia prevê um curso com cerca de 100 horas de duração, podendo ser realizado aos finais de semana, para facilitar a participação de mulheres que trabalham. Entre os conteúdos sugeridos estão:
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Noções de defesa pessoal
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Aulas sobre legislação, com foco na Lei Maria da Penha
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Orientações sobre direitos das vítimas e medidas protetivas
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Avaliação e acompanhamento psicológico
Spinelli defende que a preparação não seja apenas técnica, mas também psicológica e jurídica. A intenção é que as participantes aprendam a identificar sinais de relacionamentos abusivos e saibam como agir preventivamente.

Defesa em casos extremos
O tenente também mencionou que, em situações específicas de risco iminente de morte — e mediante autorização judicial — poderia haver a possibilidade de acesso a meios de defesa, dentro de protocolos rigorosos e com treinamento adequado. Ele ressalta que nem todos os casos de medida protetiva exigem esse tipo de recurso, mas que há situações consideradas graves em que a mulher precisa estar preparada até a chegada da polícia.
Além disso, a proposta inclui o uso de tecnologia para monitoramento de agressores, como alertas via celular em caso de descumprimento de medidas judiciais.
Debate e próximos passos
Spinelli afirma que pretende apresentar a ideia aos comandos da corporação e discutir a viabilidade do projeto. Ele também se mostra aberto a sugestões para aprimorar a proposta e ampliar o debate sobre formas efetivas de proteção às mulheres.
Para o oficial, o enfrentamento à violência doméstica exige mais do que indignação momentânea. “Treinamento é tudo”, afirmou, defendendo que a preparação pode salvar vidas e oferecer mais segurança às mulheres que vivem sob ameaça.
A proposta agora deve ser discutida com autoridades e especialistas para avaliar aspectos legais, operacionais e sociais antes de qualquer possível implementação.


