O problema da Enel em São Paulo deixou de ser falta de alerta. Avisos, discursos e notificações já não produzem qualquer efeito. O que existe hoje é a ausência de enfrentamento político direto diante de uma concessionária multinacional poderosa, blindada por relações institucionais e interesses que ultrapassam as fronteiras do Estado.
A Enel não é uma empresa qualquer. Trata-se de uma multinacional italiana com forte alinhamento ao governo federal brasileiro, inclusive com uma relação próxima e conhecida no meio político com atual presidente e a cúpula petista. Mesmo operando concessões em grandes metrópoles, acumulando recordes de reclamações de usuários, processos administrativos, ações judiciais e reiteradas falhas na prestação do serviço, a empresa permanece intocável sob a proteção federal. Isso não é coincidência — é escolha política.
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O cidadão paulista paga a conta mais cara: apagões recorrentes, prejuízos ao comércio, insegurança, serviços essenciais interrompidos e uma sensação clara de abandono. Tudo isso enquanto a concessionária segue confortável, escudada em contratos, relatórios técnicos e no silêncio conveniente das autoridades que deveriam representar a população.
Existe, porém, um exemplo recente e concreto de que esse cenário não é inevitável. Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado mostrou que governo não pode ser refém de concessionárias incompetentes. Enfrentou a Enel sem medo, denunciou publicamente o descaso, expôs falhas graves,abriu processos e deixou claro que empresa que não entrega serviço digno perde espaço. Não aceitou chantagem econômica nem discursos técnicos usados para encobrir incompetência. Agiu como chefe de Estado, não como despachante de interesses privados.
A saída da Enel de Goiás não foi um acidente administrativo. Foi um recado político direto: quem explora serviço público precisa respeitar o cidadão — ou vai embora. Simples, firme e eficaz.
Em São Paulo, falta exatamente isso: coragem de enfrentamento. O governador Tarcísio de Freitas é reconhecidamente um bom gestor, técnico, organizado e eficiente em diversas áreas. Mas, diante do desgaste crescente e das dúvidas que surgem sobre seu posicionamento em relação ao sistema que protege grandes grupos econômicos, já não basta boa gestão.
O que serve também ao prefeito Ricardo Nunes da capital.
Ambos precisam ter mais atitude política neste caso !
Se quiserem afastar qualquer suspeita de alinhamento com interesses que não representam o povo paulista
Principalmente o governador Tarcísio terá que demonstrar, na prática, que está disposto a enfrentar a Enel como Caiado enfrentou. Sem rodeios, sem discursos vazios e sem tolerância com quem trata o cidadão como refém.
O problema da Enel em São Paulo não se resolve com notas oficiais. Resolve-se com decisão, confronto institucional e disposição para pagar o preço político de defender a população. O resto é discurso — e discurso, neste caso, já apagou luz demais.



