A investigação que resultou na prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra teve início de forma inusitada: bilhetes encontrados no esgoto de uma penitenciária paulista. A descoberta deu origem à Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo contra um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
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Segundo as autoridades, o material foi localizado há cerca de sete anos durante uma revista em celas do presídio de Presidente Venceslau. Os bilhetes foram encaminhados ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que passou a investigar o caso em conjunto com a Polícia Civil. A partir daí, foram instaurados três inquéritos policiais que levaram à identificação de uma transportadora suspeita de movimentar recursos ilícitos da facção.
Com a quebra de sigilos fiscal e bancário, os investigadores apontaram que Deolane mantinha vínculos com a empresa e teria recebido transferências financeiras sem comprovação de prestação de serviços. De acordo com o delegado Edmar Caparroz, a influenciadora atuaria como uma espécie de “caixa” do crime organizado, misturando valores ilícitos com recursos de origem legal e devolvendo quantias à facção quando solicitado.
As apurações também indicaram a participação de familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder do PCC. O grupo utilizava empresas de fachada, contas bancárias e aquisição de bens de alto padrão para ocultar a origem do dinheiro.
Deolane foi presa na quinta-feira (21), um dia após retornar da Itália, onde teria se encontrado com Paloma Camacho, sobrinha de Marcola e apontada como responsável por repassar informações internas da organização criminosa. Paloma está foragida e consta na lista vermelha da Interpol, enquanto outro parente, Leonardo Camacho, é procurado na Bolívia.
Além da influenciadora, também foi detido Everton de Souza, conhecido como “Player”, identificado como operador financeiro do esquema. Já Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho, que cumprem pena em presídios federais, foram notificados de novas ordens judiciais.
Ao todo, a Operação Vérnix resultou no bloqueio de mais de R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos — incluindo carros de luxo — e quatro imóveis ligados aos investigados. A ação contou com apoio do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, a operação representa um avanço no combate à lavagem de dinheiro e no enfraquecimento das estruturas financeiras utilizadas pelo crime organizado no estado.


