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25 de maio de 2026
Oeste Cidade
PAPO RETO

Quando a pauta vira instrumento político

Vamos falar sem rodeio.
A Comissão da Mulher não foi criada para fazer aceno ideológico, nem para servir de palco de militância simbólica. Foi criada para representar mulheres — suas dores, desafios, conquistas e realidades que só quem vive sabe exatamente como são.
Quando se tira esse espaço da mulher, isso não é inclusão. É substituição.
Colocar na presidência alguém que não vive a experiência feminina não é avanço — é provocação política. É forçar uma narrativa que ignora o básico: representatividade de verdade vem da vivência, não de discurso.
E aqui não tem meio-termo.
Todo mundo merece respeito? Sim. Todo mundo tem direito de lutar por suas causas? Também. Mas isso não dá o direito de ocupar e redefinir espaços que foram criados para outros grupos.
Se amanhã colocarem alguém que não é indígena para liderar pauta indígena, ou alguém que nunca sofreu racismo para representar a população negra, a reação seria imediata. E com razão.
Então por que, quando se trata das mulheres, querem normalizar isso?
A verdade é simples e muitos evitam dizer: estão usando uma pauta legítima para fazer jogo político. Estão testando limite, provocando reação e chamando isso de avanço.
Mas não é.
Isso gera divisão, tira o foco do que realmente importa e enfraquece a luta de quem deveria estar sendo representado ali.
Representatividade não é sobre “quem quer falar”, é sobre “quem tem lugar de fala construído pela própria vida”.
Ignorar isso não é evolução. É distorção.
E no fim das contas, quem paga essa conta são as próprias mulheres, que perdem espaço dentro de um ambiente que deveria ser, antes de tudo, delas.

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